Pesquisar este blog

1 de junho de 2026

Somos todos sementes

 




 

Cada um carrega dentro de si
um jardim que ninguém vê,
uma vida escondida
sob a casca que se criou.


Há sementes que rompem cedo.
Outras, precisam de mais chuva,
mais silêncio,
mais tempo debaixo da terra.

Porque o solo também ensina.
E cada coração tem sua própria estação.

O coco sabe disso.
Para que a vida brote,
a casca precisa quebrar.
A água escondida precisa correr,
sair e respirar o mundo.


E talvez viver seja isso:
permitir rachaduras.
Aceitar o romper.
Entender que certas dores,
como o rasgar do parto,
são para gerar vida.

Há cascas duras em nós.
Medos antigos.
Solidões silenciosas.
Defesas que construímos para sobreviver.

Mas a semente que nunca se entrega à terra
permanece intacta —
e só.

“Se o grão não cair na terra e não morrer,
fica ele só.”


Morrer, às vezes,
é deixar partir o que nos impede de florescer.
É confiar no invisível.
É aceitar que o rompimento
não é o fim da vida —
é o começo dela.

Porque toda semente
carrega a possibilidade do milagre.

E mesmo as que demoram,
mesmo as feridas,
mesmo as endurecidas pelo tempo,
ainda podem se abrir
e gerar vida.

Permita-se gerar vida! 

28 de maio de 2026

Uma Soma Impossível


 

A morte chega devagar, mesmo quando vem de repente
Ela nasce no silencio
Ela senta no canto da sala
antes do último suspiro,
antes até da coragem de aceitar.

Para os que ficam, três vozes começam a falar:

A primeira é a Falta.
Ela não espera o fim para nascer.
Começa nos corredores, nos quartos, nas salas de algum lugar onde a presença era esperada.
A Falta olha para nós e diz:
“Como será o mundo sem...?”
E tudo perde um pouco do lugar.

Depois vem a Saudade.

Imensa.
Ela chega antes da partida
porque o coração pressente ausências.
E choramos não apenas quem está indo,
mas tudo o que nunca mais voltará.

E existe também o Egoísmo.

Esse fala baixo,
quase escondido.
Porque há em nós um desejo secreto
de manter quem amamos aqui.

Queremos mais um dia.
Mais uma conversa.
Mais um abraço.
Mais um milagre.

Não porque ignoramos o sofrimento,
mas porque a Falta e a Saudade
gritam mais alto que a razão.

E assim, às vezes,
pedimos que alguém permaneça
quando talvez o amor verdadeiro
fosse permitir o descanso.

A morte, então,
talvez seja essa soma impossível:
a Falta que rasga,
a Saudade que antecipa eternidades,
e o Egoísmo humano
de querer segurar para nós
quem o tempo já começou a levar.

Porque amar alguém profundamente
também pode nos tornar incapazes
de dizer adeus no momento certo.