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16 de abril de 2026

Até o Chão se Torna Mesa


 

Não — o vinho não foi criado para o couro, e ele sabe.

Plantar, colher, esmagar: eis o caminho.
Mas o mistério é fermentar no escuro,
onde a vida trabalha em silêncio.

O odre tem sua utilidade:
guardar aquilo que jamais produziu.
O problema é que, às vezes, ele esquece.
Esquece que existe por causa do vinho —
e não o contrário.

E, como consequência, endurece:
fecha-se, olha só para si,
se protege como se fosse o milagre.

Com paciência, o vinho espera.
Respira. Expande. Vive.
E quando a vida cresce,
nenhuma estrutura a contém para sempre:
romper torna-se inevitável.

Não por rebeldia,
mas por fidelidade à vida.

O vinho sabe: não nasceu para viver preso.

E Deus?
Ah, Deus sempre preferiu o sabor da vida
à integridade impecável do recipiente.

Talvez por isso, às vezes, Ele propicia o rompimento —
não para destruir o odre,
mas para lembrar que a vida é prioridade.

Sim, a estrutura tem seu valor,
mas o Amor não cabe em costuras velhas.

E, no fim, quando o vinho verdadeiro rompe
o que não o deixa viver,
até o chão se torna mesa.

18 de dezembro de 2025

A Vida é um Sopro


 A vida é um sopro.

Sopro divino,
que nasce no silêncio do tempo
e se espalha como vento manso.

Um sopro que chega de repente,
às vezes esperado, celebrado, sonhado…
e que parte sem avisar,
cedo demais,
quase nunca quando o coração está pronto.

E depois do sopro, o que resta?
Resta a ausência que pesa,
a saudade que aprende a morar,
as lágrimas que caem sem pedir permissão,
o eco de um amor que não acabou.

Mas restam também as memórias.
Risos guardados na alma,
gestos pequenos que se tornam eternos,
abraços que ainda aquecem,
mesmo na distância do tempo.

Deus sopra a vida.
Deus sustenta o caminho.
Se Ele chama de volta? Não sei.
Mas sei que Ele é bom.
Bom no começo,
bom no meio da travessia,
bom até quando o sopro se recolhe.

O Espírito vem como brisa suave,
ora quando faltam palavras,
sustenta quando a fé vacila,
envolve o coração ferido com consolo.

E há o cuidado de Deus para quem fica:
Ele se revela em passos que se aproximam,
em braços que acolhem sem perguntas,
em gente que permanece quando tudo dói.
É Jesus caminhando entre as lágrimas,
Emanuel, Deus-conosco,
fazendo da presença um abrigo
e do amor, um lugar seguro.

Djalma Maciel