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27 de agosto de 2026

É no caminho

 


Caminhamos todos sob o mesmo Tempo,
nessa estrada longa e imprevisível.
E o caminho nos oferece de tudo um pouco:
a dor, o riso, as derrotas,
a celebração, a perda, o sucesso.

Há dias em que seguimos leves;
em outros, mal conseguimos carregar os próprios passos.
Mas ninguém precisa caminhar sozinho.

Ao longo da estrada, encontramos pessoas
que tornam a jornada mais suave,
que dividem conosco o peso do fardo,
que estendem a mão e nos dão forças para caminhar mais uma milha.

E, às vezes, somos nós quem precisa ser amparado,
carregado nos braços, envolvido em afeto.

Algumas pessoas são apenas brisas passageiras.
Chegam, refrescam a caminhada e seguem seu próprio caminho.
Outras fincam raízes profundas e permanecem em nós,
mesmo quando a estrada nos leva para longe.

Porque talvez o verdadeiro sentido de seguir em frente
não esteja apenas no lugar onde vamos chegar,
mas naquilo que acontece enquanto caminhamos.

É no caminho que o amor precisa se fazer presente:
na mão que se estende, no ombro que sustenta,
no abraço que acolhe, na presença que permanece.

Amor entregue.
Amor recebido.
Amor compartilhado.

E uma linda matemática da vida,
em que quanto mais se divide, mais se multiplica;
quanto mais se oferece, mais se tem;
e, quando repartimos o que somos,
descobrimos que não diminuímos —
transbordamos.


16 de junho de 2026

Quando a Esperança ganha olhos





Ao abrir os olhos pela manhã,
a esperança desperta junto com o amanhecer.
E quando as pálpebras se fecham em oração,
ela encontra seu primeiro abrigo.

Na lágrima que rompe o silêncio do rosto,
o olhar traduz a emoção em linguagem,
iluminando a vida como farol em meio à tempestade.

Há olhos que se elevam demais
e não enxergam quem está ao lado.
E outros que, presos à cobiça,
confundem valor com posse.

Mas também existem olhos acolhendo,
chorando com os que choram,
alegrando-se com os que se alegram,
enxergando além das aparências.

E acima de todos eles,
repousa o olhar de Deus.

Um olhar que alcança o 
esquecido,
que encontra o 
escondido,
que percebe a dor antes mesmo das palavras.

Talvez o maior milagre não seja apenas sermos vistos por Ele,
mas permitirmos que Ele veja através de nós.

Quando isso acontece,
nossos olhos se tornam instrumentos da Sua compaixão,
nossas lágrimas refletem Sua ternura,
e nossas ações revelam Seu amor.

Então a esperança deixa de ser apenas uma ideia.

Ela ganha olhos. E passa a caminhar pelo mundo.