Cada um carrega dentro de si
um jardim que ninguém vê,
uma vida escondida
sob a casca que se criou.
Há sementes que rompem cedo.
Outras, precisam de mais chuva,
mais silêncio,
mais tempo debaixo da terra.
Porque o solo também ensina.
E cada coração tem sua própria estação.
O coco sabe disso.
Para que a vida brote,
a casca precisa quebrar.
A água escondida precisa correr,
sair e respirar o mundo.
E talvez viver seja isso:
permitir rachaduras.
Aceitar o romper.
Entender que certas dores,
como o rasgar do parto,
são para gerar vida.
Há cascas duras em nós.
Medos antigos.
Solidões silenciosas.
Defesas que construímos para sobreviver.
Mas a semente que nunca se entrega à terra
permanece intacta —
e só.
“Se o grão não cair na terra e não morrer,
fica ele só.”
Morrer, às vezes,
é deixar partir o que nos impede de florescer.
É confiar no invisível.
É aceitar que o rompimento
não é o fim da vida —
é o começo dela.
Porque toda semente
carrega a possibilidade do milagre.
E mesmo as que demoram,
mesmo as feridas,
mesmo as endurecidas pelo tempo,
ainda podem se abrir
e gerar vida.
Permita-se gerar vida!

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