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8 de junho de 2026

Peregrinando


 

Estamos peregrinando e quem peregrina cuida.

Cuida da interioridade mais profunda, 
Cuida do corpo, da mente, dos sentimentos,
Cuida das pessoas mais amadas, do meio ambiente, 
Cuida da Vida.

Quem peregrina anda

Anda em direção a Deus, 
Anda em harmonia com todo o ritmo do corpo, 
Anda deixando o que passou,
Anda em direção a novas oportunidades e desafios, 
Anda em espírito de solidariedade e companheirismo, 
Anda atento aos ruídos e silêncios da Vida, 
Anda encantado com as coisas simples e deslumbrado com as trivialidades,
Anda andando sempre.

Quem anda cansa...

Cansa de tanto percorrer por estradas tão semelhantes, 
Cansa de perceber que a estrada se repete,
Cansa pela dor que teimosamente persegue o peregrino,
Cansa pelo sol que insistentemente enfornalha todo o ser,
Cansa de tanto cansaço.

Então, descansa...

Descansa como ato peregrino – parar é só mais uma estação da peregrinação. Quem peregrina tem sempre um pé em ponto de repouso – um pé em velocidade zero. 
No descanso, o corpo, quase todo, assume esse ponto de repouso. 
E descansa do sol, descansa da repetição de tantos passos, dos ruídos vários. 
Descanso total da lama e de qualquer sujeira que se apegou ao peregrino. 
Descanso erradicando a sujeira indesejada do caminho. 
No descanso profundo a mente se liberta para os sonhos... 
Descanso não vendo, nem ouvindo, não falando e nem sentindo.

E então elabora

Elabora o que viveu, o que sentiu, as dores que insistem em ficar, 
Elabora as alegrias que aquecem a alma, as perdas e os recomeços, 
Elabora as perguntas sem resposta, os silêncios que falam, 
Elabora os encontros e desencontros, 
Elabora a própria história enquanto caminha,

E, elaborando, segue mais leve,
Mais consciente, Mais inteiro, 
Mais humano.

Agora,

Só não descansa Aquele que não dorme, não dormita e sempre ama.
E, por isso:
Cuida !!! Anda !!! Elabora !!! E, não cansa e nem descansa.

                                                                               
                                                                           Carlinhos Queiroz e Djalma Maciel 

28 de maio de 2026

Uma Soma Impossível


 

A morte chega devagar, mesmo quando vem de repente
Ela nasce no silencio
Ela senta no canto da sala
antes do último suspiro,
antes até da coragem de aceitar.

Para os que ficam, três vozes começam a falar:

A primeira é a Falta.
Ela não espera o fim para nascer.
Começa nos corredores, nos quartos, nas salas de algum lugar onde a presença era esperada.
A Falta olha para nós e diz:
“Como será o mundo sem...?”
E tudo perde um pouco do lugar.

Depois vem a Saudade.

Imensa.
Ela chega antes da partida
porque o coração pressente ausências.
E choramos não apenas quem está indo,
mas tudo o que nunca mais voltará.

E existe também o Egoísmo.

Esse fala baixo,
quase escondido.
Porque há em nós um desejo secreto
de manter quem amamos aqui.

Queremos mais um dia.
Mais uma conversa.
Mais um abraço.
Mais um milagre.

Não porque ignoramos o sofrimento,
mas porque a Falta e a Saudade
gritam mais alto que a razão.

E assim, às vezes,
pedimos que alguém permaneça
quando talvez o amor verdadeiro
fosse permitir o descanso.

A morte, então,
talvez seja essa soma impossível:
a Falta que rasga,
a Saudade que antecipa eternidades,
e o Egoísmo humano
de querer segurar para nós
quem o tempo já começou a levar.

Porque amar alguém profundamente
também pode nos tornar incapazes
de dizer adeus no momento certo.