Ao abrir os olhos pela manhã,
a esperança desperta junto com o amanhecer.
E quando as pálpebras se fecham em oração,
ela encontra seu primeiro abrigo.
Na lágrima que rompe o silêncio do rosto,
o olhar traduz a emoção em linguagem,
iluminando a vida como farol em meio à tempestade.
Há olhos que se elevam demais
e não enxergam quem está ao lado.
E outros que, presos à cobiça,
confundem valor com posse.
Mas também existem olhos acolhendo,
chorando com os que choram,
alegrando-se com os que se alegram,
enxergando além das aparências.
E acima de todos eles,
repousa o olhar de Deus.
Um olhar que alcança o esquecido,
que encontra o escondido,
que percebe a dor antes mesmo das palavras.
Talvez o maior milagre não seja apenas sermos vistos por Ele,
mas permitirmos que Ele veja através de nós.
Quando isso acontece,
nossos olhos se tornam instrumentos da Sua compaixão,
nossas lágrimas refletem Sua ternura,
e nossas ações revelam Seu amor.
Então a esperança deixa de ser apenas uma ideia.
Ela ganha olhos. E passa a caminhar pelo mundo.
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16 de junho de 2026
Quando a Esperança ganha olhos
28 de maio de 2026
Uma Soma Impossível
A morte chega devagar, mesmo quando vem de repente
Ela nasce no silencio
Ela senta no canto da sala
antes do último suspiro,
antes até da coragem de aceitar.
Para os que ficam, três vozes começam a falar:
A primeira é a Falta.
Ela não espera o fim para nascer.
Começa nos corredores, nos quartos, nas salas de algum lugar onde a presença era esperada.
A Falta olha para nós e diz:
“Como será o mundo sem...?”
E tudo perde um pouco do lugar.
Depois vem a Saudade.
Imensa.
Ela chega antes da partida
porque o coração pressente ausências.
E choramos não apenas quem está indo,
mas tudo o que nunca mais voltará.
E existe também o Egoísmo.
Esse fala baixo,
quase escondido.
Porque há em nós um desejo secreto
de manter quem amamos aqui.
Queremos mais um dia.
Mais uma conversa.
Mais um abraço.
Mais um milagre.
Não porque ignoramos o sofrimento,
mas porque a Falta e a Saudade
gritam mais alto que a razão.
E assim, às vezes,
pedimos que alguém permaneça
quando talvez o amor verdadeiro
fosse permitir o descanso.
A morte, então,
talvez seja essa soma impossível:
a Falta que rasga,
a Saudade que antecipa eternidades,
e o Egoísmo humano
de querer segurar para nós
quem o tempo já começou a levar.
Porque amar alguém profundamente
também pode nos tornar incapazes
de dizer adeus no momento certo.

